Turismo sexual brasileiro: barreira enfrentada por todas
- Mayara Piperno Silva

- 15 de jan. de 2020
- 3 min de leitura
Texto escrito por Mayara Piperno e Debora Simeão para a Revista Gabrielle
Mulheres brasileiras são consideradas como instrumento sexual e vítimas de assédio por conta do machismo e preconceito enraizado

Para os brasileiros que não conhecem outro país ou estrangeiros, ainda é estranho escutar que existem preconceito fora daqui em relação a nacionalidade brasileira. Quando alguém viaja para fora, pode-se deparar com alguns problemas já enfrentados por outros. Em muitos países o povo brasileiro ainda é taxado de ladrão, prostituta e aproveitador, o que ainda é difícil mostrar o contrário. Todo esse preconceito é a chamada “culpa” pelos anos em que o tráfico de pessoas para prostituição ou trabalho escravo se estendia pelo mundo todo, principalmente de mulheres.
Apesar da primeira experiência ruim, Luciana resolveu tentar novamente um Au Pair aos 24 anos, em Chicago por dois anos. “A família era maravilhosa, porém por ser estrangeira e latina, eles pensam que é só pegar e jogar fora. Eu tive muitas experiências estranhas, por isso talvez eu não tenha casado com um americano. Eles somem do nada e quando mandar uma mensagem questionando, eles falam “Só te usei”, “Você não tem casa”, “Só te usei e pronto” e isso acontecia mais com latinas do que com a europeias.
Na balada as pessoas acham que pode chegar e abraçar porque são brasileiras, mas daí você vai se esquivando. Acho que a minha pior experiência foi na França mesmo, em Chicago também teve algumas situações, mas foi mais fácil de lidar. Eles enxergam que nós viemos de um país onde a gente aceita de tudo e não é assim.”
Em países com maior desenvolvimento, as mulheres são as que mais sofrem, pois são elas sempre taxadas como “sempre disponíveis para sexo” para os homens. Elas acabam sofrendo com abusos e preconceitos, tanto em conversas com os gringos pela internet, quanto pessoalmente, afinal essa é a imagem que da mulher brasileira para eles, dando espaço ao turismo sexual.
Experiência interrompida...
A brasileira Luciana Medina que foi para a Inglaterra aos 18 anos ser Au Pair, contou um pouco sobre a sua experiência. “Na ida parei em Paris e fui impedida de entrar no trem.
Fiquei confusa e sai andando, até que resolvi pedir ajuda para um cara que trabalhava no metrô. Ele foi muito educado comigo tentou me ajudar, porém era sábado, então não tinha muito o que fazer. Ele me convidou para dormir na casa dele, sem outra opção, eu aceitei.
Depois de uns dois dias na casa, as coisas começaram a mudar. Antes de dormir, ele me pedia um beijo e comecei a ficar preocupada. Eu recusava, mas ele insistia. Eu estava desesperada e chorava sempre. A cada dia piorava, ele nunca me foçava, mas eu me sentia muito vulnerável, até que eu decidi voltar para o Brasil. O que era para durar um ano, acabou durando apenas um mês.”
Tudo isso apenas reforça a ideia de que mulheres brasileiras sofrem muito com o turismo sexual. Apesar da primeira experiência ruim, Luciana resolveu tentar novamente um Au Pair aos 24 anos, em Chicago por dois anos. “A família era maravilhosa, porém por ser estrangeira e latina, eles pensam que é só pegar e jogar fora. Eu tive muitas experiências estranhas, por isso talvez eu não tenha casado com um americano. Eles somem do nada e quando mandar uma mensagem questionando, eles falam “Só te usei”, “Você não tem casa”, “Só te usei e pronto” e isso acontecia mais com latinas do que com a europeias. Na balada as pessoas acham que pode chegar e abraçar porque são brasileiras, mas daí você vai se esquivando. Acho que a minha pior experiência foi na França mesmo, em Chicago também teve algumas situações, mas foi mais fácil de lidar. Eles enxergam que nós viemos de um país onde a gente aceita de tudo e não é assim.”
Um pouco dessa visão, também é reflexo de como a o país e visto pelos estrangeiros, um país conhecido pelos carnavais, mulheres bonitas, sempre com pouca roupa e futebol. A mudança dessa visão machista e sexista das mulheres ainda é uma grande barreira para as que queiram viajar sozinhas para fora do país.
Ter mulheres que são taxadas como as mais “sexys” do mundo agrava ainda mais a situação, mas assim como dentro do país, o turismo sexual é algo já enfrentado e “vencido” por muitas mulheres que conseguem mostrar que em nosso país não somos feitas “apenas para sexo”.
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