Congelamento de óvulos
- Mayara Piperno Silva

- 25 de mar. de 2020
- 4 min de leitura
Texto escrito por Mayara Piperno e Lorrayne Perozzo para a Revista Gabrielle
Os avanços tecnológicos e mudanças do comportamento da população, tem trazido novas maneiras de ver e pensar na maternidade!

A evolução da humanidade de uma forma cada vez mais acelerada, vem contribuindo com a queda das taxas de fertilidade e desenvolvendo sintomas que influenciam nessa questão. A mudança no comportamento da população jovem é um dos fatores que vem postergando o desejo de ter filhos, seja por motivos profissionais ou pelo simples fato de não encontrarem o parceiro ideal para essa jornada!
Aos 30 anos, as mulheres ainda são consideradas jovens: com a saúde em perfeita condição para buscar uma gestação. Porém, aos 35 anos inicia-se o declínio no potencial reprodutivo feminino, atingindo seu pico aos 40 anos. Além do número de óvulos, com o “envelhecimento” acontece também a perda da sua qualidade, já que os óvulos podem acumular efeitos do meio ambiente, como poluição, radiação, medicações entre outros.
Assim, o congelamento de óvulos tem se tornado uma excelente opção de preservação de fertilidade para mulher que desejam ter filho após os 35 anos. Não só para as mulheres que postergam a gestação, congelar os óvulos também está indicado para pacientes jovens, que descobriram algum câncer recentemente e terão que ser submetidas a quimioterapia e/ou radioterapia. Preferencialmente, a preservação da fertilidade deve ser realizada antes do início do tratamento específico, levando sempre em consideração a idade do paciente, o diagnóstico da doença existente e a programação do tratamento oncológico.
É recomendável que o congelamento dos óvulos seja feito antes dos 35 anos, já que após essa idade os óvulos começam a perder a sua qualidade. Porém, assim que os óvulos já estão congelados, não existe uma idade limite para que seja feita a fertilização- os óvulos nesse caso, podem ficar congelados por tempo indeterminado. A coleta é feita com sedação e o preço médio do congelamento é de 15 mil reais, contando com a medicação usada.
Em entrevista com a ginecologista obstetra Dra. Dayana Couto, ela conta que a busca pelo método só aumenta: “Estamos vivendo uma nova geração! As mulheres estão cada vez mais estudando, se especializando, fazendo pós-graduação e entrando com tudo no mercado de trabalho, assim os planos da maternidade estão sendo postergados. Estamos casando mais velhas e consequentemente sendo mães mais velhas também.
O problema é que nossa natureza não mudou, e a fertilidade começa a sofrer uma queda
para todas as mulheres a partir dos 35 anos. Você acha isso justo?!”
Antes o mundo das mulheres era restringido a se casar e ter filhos, hoje o leque de opções é muito maior, e muitas mulheres optam em não se casar ou até mesmo ter filhos- quebrando esse paradigma. Colocando em primeiro plano: estabilidade profissional e financeira, e em segundo: se casar e ter filhos. E então, a busca por métodos para postergar a maternidade começam a ser procurados.
A Youtuber Luísa Accorsi fez um vídeo no final de 2018, onde conta que realizou o procedimento de congelamento de óvulos com 29 anos. O que impulsionou ela a ir atrás do método foi ver algumas amigas que escolheram esperar para ter filhos após os 30 anos, encontrarem dificuldade para engravidar, tendo que recorrer a fertilização in vitro, e nem sempre conseguindo engravidar na primeira tentativa da FIV.
Ela também estava solteira quando começou a pesquisar sobre o assunto, e estava em um momento onde priorizava sua carreira, sempre viajando. Ela conta que ser mãe é um sonho que sempre teve, e que tem vontade de ter mais de um filho, motivo pelo qual contribuiu para que ela fizesse o congelamento dos óvulos- já que na segunda ou terceira gravidez estaria mais velha, correndo o risco de não ter mais óvulos com qualidade para conseguir engravidar de forma natural. Assim, escolheu se precaver para que possa realizar o sonho da maternidade futuramente, sem ter a pressão de precisar engravidar logo.
Luísa explica como foi o procedimento antes da coleta dos óvulos: no primeiro dia da menstruação, começou a aplicar injeções com hormônios que estimulam o ovário. O principal efeito colateral que teve foi da TPM. Como se fosse uma TPM muito mais forte que a normal na questão psicológica, com oscilações de humor. Além disso, sentiu a barriga muito inchada e algumas dores.
Esse processo durou por volta de dez dias, e durante esse tempo ela ia até o médico um dia sim e outro não, para realizar o transvaginal e ter o acompanhamento para saber se as injeções de hormônios estavam fazendo o efeito necessário para a coleta
No dia da ovulação, Luísa foi até o médico fazer a coleta dos óvulos para o congelamento. Os óvulos ficam congelados em uma cíclica até que ela decida usar. Caso ela escolha ou não precise desses óvulos, eles podem ser doados ou descartados.
Além do congelamento de óvulos, existe o congelamento de embriões. A Dra. Dayana esclarece a diferença: “Congelamento de óvulos é para mulher, para preservar sua fertilidade, indicado para pacientes que querem postergar a gestação- o que chamamos de congelamento social ou também indicado para pacientes que tiveram o diagnóstico de câncer e vão passar por um processo de radioterapia ou quimioterapia para tratamento. Já o congelamento de embriões pode ser para o casal, já que fertilizamos o óvulo com o espermatozoide para se formar o embrião. Este tratamento visa o casal, que por algum motivo quer postergar o desejo de ter filhos”.
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