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O Silêncio Pode Dizer Muita Coisa

  • Mayara Piperno
  • 23 de jun. de 2018
  • 4 min de leitura

                                                        A cada hora, 5 crianças são violentadas no Brasil

A violência sexual infantil, infelizmente, se faz bem presente em nosso meio, afinal, sempre ouvimos falar de algum caso ou vemos a partir das notícias dadas na televisão e internet. O que poucos sabem é que isso é mais comum do que imaginamos, pois pode acontecer dentro de qualquer grupo social.

A definição de violência sexual é qualquer ato sexual ou tentativa de obtenção de ato sexual por violência ou coerção, comentários ou investidas sexuais indesejadas, atividades como o tráfico humano ou diretamente contra a sexualidade de uma pessoa, independentemente da relação com a vítima. Isso pode acontecer, principalmente, entre pessoas que podem ser consideradas de grande confiança e próximas da vítima, por exemplo, um membro da família ou até mesmo seu próprio responsável. 

Na maioria das vezes, as crianças são tão ingênuas que não fazem ideia de que aquilo é algo errado e visto com malicia, porém, isso fica em sua memória e pode trazer mudanças e traumas para a vida da menina ou do menino e sua família. Por isso, a cautela deve ser grande na hora de investigar se a criança está ou não, sendo abusada. E caso seja o ocorrido, buscar levar a vítima em um psicólogo para receber apoio profissional e, é claro, denunciar o agressor.

Durante a entrevista com a estudante de psicologia Mayara de Paula Silveira Rodrigues, perguntamos a ela se as crianças se as crianças têm algum sinal quando sofre o abuso e segundo ela “Normalmente não é um sinal só, mais um conjunto de indícios. 

Um dos primeiros sinais é uma mudança de comportamento, que é um dos fatores um pouco mais fácil de se perceber pois costuma ser de maneira repentina.Por exemplo, se a criança sempre foi extrovertida e passa a ser muito introvertida, começa a apresentar medos que nunca teve como medo do escuro, medo de ficar sozinha ou perto de certas pessoas, ou uma pessoa específica, no caso o possível abusador. ”

Quando pequenos dependemos muito de nossos pais, e principalmente em casos como esse, apesar de muitas vezes eles não terem consciência do ocorrido a criança acaba demonstrando de alguma forma “Os pais devem ser os melhores observadores, já que na maioria das vezes são eles os que tem mais contato com a criança. Sempre devem ficar atentos a qualquer detalhe diferente, as crianças dão indícios até pelo brincar, ficar mais acuada ou arredia, ou até mesmo brincar com os órgãos genitais. 

Toda mudança de comportamento deve ser investigada, mas tudo depende de uma boa observação”.

A escola é o lugar em que passamos grande parte do tempo. Quando é hora de a escola começar a desconfiar de alguma coisa e como a escola deve auxiliar a criança depois que é confirmado a violência? “Justamente pelo comportamento, quando é uma criança muito alegre e começa a ficar muito retraída, ou quando é uma criança muito boazinha e começa a ficar agressiva, no caso das pequenas as vezes a tia da escola vai dar banho e ela não deixa encostar. Todas as mudanças devem ser observadas. 

Conversando com os pais, com a criança, entrando em um acordo para fazer o encaminhamento da criança para um psicólogo. E de forma alguma tratar a criança muito diferente do que era antes, pois ela sente. ”

O desenho é uma forma de expressão e questionamos a psicóloga se a criança tem objeto de transmitir através do desenho se ela sofreu um abuso ou não, “Não necessariamente. O desenho é uma forma de expressão, a criança pode expressar qualquer tipo de sentimento ou imaginação. E dependendo da idade da criança ela nem está no operatório concreto ainda, que é uma das fases do desenvolvimento infantil, então muitas das vezes ela não faz as coisas com nenhuma intenção, por não ter consciência do que é certo ou errado, justamente por não ter esse estágio do desenvolvimento (operatório concreto) completo ainda. ”

A criança entre 5 e 6 anos não tem consciência de que aquilo é um abuso, pois não sabem o significado da palavra, já quando são maiores vai depender se os pais já conversam com a criança que se acontecer algo do tipo é errado e que eles têm que ser comunicado. Mas é raro quando as crianças comunicam os pais, pois tem medo, mesmo porque os abusadores amedrontam-nos.

Quando ocorre a violação a vítima guarda isso por muito tempo consigo, quando os pais tomam consciência do acontecido e o que é mais correto fazer? “O mais correto é procurar imediatamente ajuda especializada; Psicólogo/Psicanalista. Tudo vai ser investigado, desde o dia a dia da criança até o histórico familiar, pessoas próximas, quais as mudanças que foram identificadas pelos pais, etc. Provavelmente o Psicólogo/Analista fará a escolha de algum teste para ser aplicado nesta criança, como por exemplo um teste gráfico (a análise é feita através de certos desenhos). Alguns desenhos têm significados, como por exemplo, aquele desenho circular que algumas crianças fazem no centro de uma árvore como se fosse um buraco, ele está relacionado a traumas. Então tudo deve ser levado em consideração, para que possa ser constatado o abuso e resolvido o mais rápido possível. ”

“Abuso na infância é uma coisa que meche sim bastante com a construção da personalidade de qualquer criança. Pode desencadear um distúrbio, um pânico, um trauma, um humor diferente. Por isso essa criança deve ter um acompanhamento psicológico, ou até mesmo um tratamento contínuo caso uma dessas situações que foram citadas, já tiverem sido constatadas.

A violência sexual de um modo geral não é fácil de lidar, mas quando isso ocorre com as crianças se torna mais complicado, pois elas não têm a consciência da gravidade e por medo escondem isso dos pais que quando descobrem além de sofrerem uma comoção ainda tem que cuidar do emocional da vítima, para que quando crescerem seja compreensível entender tudo que se passou, para que possam ter uma vida tranquila.


 
 
 

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